Algo inacabado acerca da Razão e da Sensibilidade

Se você pudesse destruir algo, caro leitor, você preferiria abstrair sua razão ou sua sensibilidade?

Não sei qual resposta eu daria, acho que depende de uma série de movimentos, até mesmo, não querendo ser redundante, uma série de pensamentos e sensações.

Acredito que seja mais fácil lidar com as emoções de forma racional, pois desta forma os sentimentos refletem na alma humana algo já racionalizado, sem grandes movimentos que possam suceder deles.

Assim como acredito que seja mais fácil deduzir acerca das coisas por meio da sensibilidade, tendo o homem, por conta de suas experiências, meios com os quais se possa ajudar a alcançar a verdade das coisas.

Sempre achei muito interessante imaginar como um racionalista pensa acerca das coisas, afinal é tão diferente da forma pela qual os empiristas se baseiam.

E analisando o verbete a respeito do racionalismo, de uma forma muitíssimo simplificada, pode-se entender dele aquilo que “caracteriza tudo aquilo que pertence à razão ou que é derivado dela” (MARCONDES, 1996, p.228), ou que de forma valorativa caracteriza uma ação que se realiza de acordo com certos valores e que se autojustifica; ou que é instrumental, tendo como finalidade a busca de fins e objetivos específicos baseados no cálculo e na adequação desses fins a seus meios.

De certo sou adepto da filosofia empírica, que considera o homem “nascido para a ação e como influenciado em suas atitudes para o gosto e para o sentimento, perseguindo um objeto e evitando outro, de acordo com o valor que esses objetos parecem possuir segundo a perspectiva que lhe apresentam” (HUME, 2003, p.19).

Prefiro ainda pintar com cores mais agradáveis àquilo que, por exemplo,  a idéia de 1+1=2 representa, por mais que essa idéia seja mais direta e acertada as vezes. Prefiro a idéia de poder demarcar a idéia das coisas “agradando a imaginação e os afetos” humanos utilizando observações e experiências a dirigir-me para a especulação e a crítica que podem ser algumas vezes abstratas e até mesmo inteligíveis para a maioria das pessoas.

Digo isto tendo algumas coisas como certas e indubitáveis, entre elas a idéia de que não podemos separar a razão da experiência, tão pouco a razão do sentimento, pois em ambos os casos as duas idéias andam juntas. Também não quero ser pretensioso ao ponto querer mostrar o caminho mais certo a se seguir, muito pelo contrário, me proponho a formular uma perspectiva para este assunto.

Sigo questionando a idéia de amor, pois esta acaba sendo uma das idéias mais complexas e menos explicáveis possível. Alguém consegue racionalmente descrever o ato de amar? 

Um racionalista colocaria nesta idéia outra série de idéias, como a de feromônios, instintos, ou até mesmo uma tentativa racional de provar o movimento das paixões, buscando transformar tal idéia num cálculo matemático desenfreado e regrado.

Mas afinal, um racionalista poderá sozinho descrever algo nunca sentido? Algo que sua alma pode nunca ter descoberto ou pensado? Por isso, assim como Hume, acredito que experiência e razão, assim como razão e sensibilidade devem estar juntas, sempre uma aprendendo com a outra.

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Em busca da felicidade… Ou de um emplasto semelhante…

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O que realmente te faria feliz, caro leitor? É estranho pensar nessa idéia, é algo tão amplo e cheio de discussões para serem colocadas em prática, aliás, na teoria são piores ainda para tentarem ser entendidas.

Para algumas pessoas a felicidade seria ver Deus frente a frente, para outros seria ter uma bicicleta, para outros seria viajar a vida inteira, para outros felicidade é ter alguém que valha a pena estar ao lado, entre tantas outras perspectivas e sentimentos envolvidos ao se pensar nesta idéia tão vaga e complexa ao mesmo tempo.

É mais estranho pensar em como os valores que tínhamos mudam a cada instante, como as escolhas que fizemos passam a de nada valer num simples piscar de olhos. Sabe quando fazemos algo num passado não muito distante e que depois rimos de nós mesmos pensando em como pudemos ser agentes de tais feitos, ou até mesmo nos criticamos por um feito não muito prudente ou prudente até demais? É estranho pensar desta maneira, pois somos nós os atores de nossa vida, não os espectadores.

O que seria felicidade? Um estado de espírito? Um movimento da natureza humana? Algo cíclico e inexplicável? Tudo que pude ler nos verbetes de um dicionário de filosofia não fogem da idéia de um estado de satisfação pleno, a busca de um bem supremo, para Kant, uma coisa agradável para quem a possui, e para Sartre, não mais um fim para ser alcançado, sendo apenas uma coisa cíclica.

Mesmo com Freud dizendo que a felicidade não tem valor cultural, ou Epicuro afirmando que uma vida feliz seria impossível sem a sabedoria, honestidade e justiça. Mas ainda fica a questão: o que é felicidade? E podemos ir mais ao fundo ainda: como alcançar uma vida feliz tendo em vista nossas escolhas?

Por mais que nossas escolhas sejam embasadas e validadas por atos, como ter consciência se um ato poderia vir a ser mais acertado ou não que outro? Isso realmente não se pode saber, pelo simples fato de não ser possível viver uma vida duas vidas, e se alguém tiver conseguido tal feito extraordinário, por favor, me passe o nome deste alucinógeno por que ando precisando de um desses.

Acredito ser muito pertinente a idéia que Aristóteles tinha acerca dos atos, pois, ou eram voluntários, logo pensados e conscientes dos efeitos em relação em tudo a sua volta; ou eram involuntários e não se tinha consciência do que era feito; ou era não voluntário e, grosso modo, era um mal necessário. Coloco isto em questão pelo simples fato de um indivíduo pensar sempre em si em primeiro lugar e depois perceber e pensar sobre os atos associados a ele e à sua volta.

Pior ainda é pensar na duração que tais atos podem manter algum tipo de felicidade ou infelicidade. Pois pensamos, ou melhor, deveríamos pensar que um ato é exteriorizado pelo fato de um indivíduo ter uma crença de que é um ato que vai ter efeitos bons, pelo menos para ele próprio.

Não sei se é algo egoísta, ou até mesmo egocêntrico, mas todas as pessoas têm aquele interesse interno e inconsciente de estimular sua própria felicidade, haja o que houver, aconteça o que acontecer. Isto inconscientemente protege sua realidade interna e o protege de tudo que o mundo possa lhe trazer de mau. É como se fôssemos super heróis de nós mesmos, lutando contra o mundo externo e o nosso próprio mundo individualista.

A luta de todos contra todos está bem na nossa frente, uma luta de nós contra os outros e contra nós mesmos, e creio que essa batalha nunca terá qualquer vencedor, disse uma mentira agora, o vencedor será o abutre que comer a carniça dos gladiadores primeiro.

Mas até quando as ações serão pensadas, até quando elas serão só uma busca instintiva para um bem que não se sabe qual é? Até quando as ações humanas são humanas e pensadas e até quando o homem age por instinto, por impulso? Até onde o homem pensa em si mesmo, até onde o homem passa a pensar no outro? Até quando se buscará viver uma felicidade insólita, até quando não precisaremos pensar nela? Quem sabe isso aconteça… Mas precisaremos de um alucinógeno muito bom…

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Quando se busca a verdade num sonho…

untitledÉ estranho como os sonhos podem instigar nossos pensamentos. Grosso modo, na perspectiva de Jung, os sonhos são, em uma das definições, instintos reprimidos, que tem uma tendência natural de influenciar a mente de forma consciente.

Os sonhos seriam nada mais que produtos espontâneos do inconsciente, sendo eles produtos independentes da vontade, não sendo influenciáveis por qualquer tipo de intenção consciente.

Torna-se engraçado pensar no real significado dos sonhos e os efeitos destes produtos do pensamento sobre os indivíduos, digo isto por ter sentido isto na própria pele minutos atrás. Realmente não sei se a mente, este motor tão poderoso, é capaz de inconscientemente causar tantas emoções ao mesmo tempo, justamente por que sou cético e não quero me render a tais idéias tão facilmente.

Mas o fato de ter ouvido e visto algumas coisas que remetem ao passado e que não mais existem em minha realidade, que me trouxeram saudade e tristeza, vieram a mim em meus sonhos com um ar tão real, tão marcante e tão saudoso, que me trouxe uma série de sensações que estavam antes adormecidas. E mesmo que quisesse que elas se mantivessem no estado em que estavam, não posso negar que me senti bem com isso.

Ninguém pode negar que a mente, assim como as ações práticas, é movida pelos instintos, pelas paixões, afinal mente e ações são bastante ligadas sendo elas ora uma causa, ora efeito em momentos diferentes. Ou seja, o pensamento consciente pode ser a força motriz de uma ação especifica e vice versa. Os produtos do inconsciente têm um reflexo um pouco diferente, movendo e influenciando os outros pensamentos, logo influenciando as ações reais.

Mas agora fica a questão: mesmo sabendo que os sonhos não passam de fantasias criadas pelo inconsciente para tentar apaziguar as paixões violentas da mente humana, qual é seu real efeito em nós? Pois mesmo que um sonho seja tão irreal, quando é lembrado ao acordar, ele é capaz de trazer tantos sentimentos que não eram revirados há tempos, e que se não tivessem sido sonhados, tais pensamentos poderiam estar onde sempre estiveram, e assim não causariam nenhum tipo de referência ao consciente.

É estranho pensar que momentos da infância, fatos da vida, sendo eles amorosos, do trabalho ou de qualquer outro setor tendem a trazer tantas outras situações no movimento interno de nossos pensamentos.

Os mais místicos dizem que quando sonhamos com dentes é por que alguém que conhecemos vai morrer, ou que quando sonhamos com cobras é por vamos ser traídos de alguma forma. Mas até quando isso pode ser verdadeiro ou é só produto de uma crença. Lendo Jung isso só mostra que isso não passa de um delírio do senso comum, e que os sonhos são determinações das fantasias e do próprio inconsciente humano, mas não podemos deixar de respeitar quaisquer que sejam as crenças instituídas.

Às vezes penso que se não fôssemos movidos por experiências decorrentes de uma vida isso deixaria de acontecer. Pena que o homem é uma esponja que adquire experiência de tudo que acontece em sua volta, e que nos torna tão passiveis e sensíveis a tudo em nossa volta.

Mas isto é algo que não podemos fugir feliz ou infelizmente, teremos que conviver com os aspectos frágeis e equivocados da realidade humana até o fim de nossas existências, sonhando e pondo em prática tudo o que puder ser trazido para a realidade. Agora refaço minha pergunta: até que ponto os sonhos podem tornar-se realidade?

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Perspectiva Amorosa de um Sujeito…

eu-queria-ser-amor-geisaA questão de hoje trata de algo que foi colocado em terapia hoje: a idéia de querer. O que realmente quero para minha vida? Parece algo tão fácil de ter em mente, mas isso na minha vida afetiva não anda tão fácil de ser explicada. Hoje pretendo tentar explicar um pouco disto.

Sempre fui muito focado nos assuntos do coração, sempre soube muito bem o que queria e nunca tive problema com o movimento de minhas paixões, sempre soube o tipo de pessoas com quem queria me relacionar, em quaisquer que fossem os campos afetivos.

O mais engraçado de tudo é que de algumas semanas para cá tudo ficou tão nebuloso e imprevisível que fica difícil ter uma postura que mostre minha firmeza de pensamento. Parece que depois que algo marca muito fundo, nos sentimos incapazes de encarar o mundo como ele realmente merece. Parece que tudo nos amedronta e tudo que estava no passado adormecido retorna e se torna algo mais forte e real.

Um exemplo disso foi eu não ter coragem de andar na rua sozinho a noite até poucas semanas atrás. Sei que sou cético, mas isso vai a algo além, algo inconsciente, pelo simples fato de não me sentir mais protegido, daí pude perceber que eu realmente não dava valor a mim mesmo, pois se eu realmente confiasse em mim mesmo isso não teria tanta necessidade, pois eu sou realmente capaz de encarar as coisas como elas realmente são, independente de estar sozinho afetivamente ou não.

Acredito que tudo que eu passei nesses últimos meses ao mesmo tempo em que me retraí do âmbito social ao mesmo tempo me coloca numa situação de abertura, mas têm horas que precisamos parar, refletir, e reconhecer onde está o erro, para que possamos curar as feridas abertas e termos coragem de nos colocarmos a frente do mundo novamente.

O primeiro passo é descobrir um querer perdido, talvez perdido pela comodidade, pelo sentimento de não haver mais um querer tão bem definido, que estava fixo e parecia não ser passível de mudanças drásticas, mas que sua debilidade, como consequência acaba trazendo uma série de problemas, de forma que acabamos não sendo vistos como competentes e com um posicionamento firme diante dos outros.

O que querer de agora em diante? Além do campo profissional que está muito bem estabelecido, além de um mestrado, além de tudo que relacione ao campo material. O campo afetivo acaba influenciando diretamente muito nisso tudo. Então devo mudar a questão e deixá-la mais fechada: O que querer e o que esperar de alguém que venha a entrar no campo dos afetos?

Quando pensamos num relacionamento saudável, pensamos em que? Em juras de amor, em promessas eternas e tudo que pode nos trazer uma segurança ilusória?

 Em primeiro lugar não se pode confiar em quem não tem atos que respeitem suas palavras, muito menos o lado inverso da situação, afinal, aquele que realmente se entrega ao amor deve ligar o que se fala com os gestos lançados ao outro, assim como deve ligar o que se fala ou o que se diz com o desejo e o propósito da ação.

Não adianta de nada dizer uma coisa, não agir sob esta perspectiva e ainda não demonstrar o desejo que se tem por algo. Digo isto por que não diria que compraria uma bicicleta ou qualquer outra coisa se não soubesse que ela será útil e que eu realmente gostaria de ter aquele objeto. O desejo age ai como o motor das ações logo com ele deve condizer os atos e as palavras. Logo se não temos visível a idéia de desejo, não há motivação alguma que nos faça ter alguma coisa.

Desta mesma forma acontece com um relacionamento, pois se não vemos o desejo e se ele não condiz com os atos e a fala, o que isso reflete no outro? Se ouvimos e vemos nas ações o querer, por que o outro sujeito não personifica suas formas de desejo? Digo formas de desejo num sentido amplo e pouco delimitado, que vai tanto pelo desejo sexual ou até a pura vontade de estar em contato com o outro sujeito da ação.

Sempre acreditei que amor era uma coisa grande, esperada, querida e necessária. Mas até qual ponto podemos esperar no amor de alguém alguma resposta ao que se é proposto a fazer? Questiono este ponto tendo em vista que a raça humana sempre foi e sempre será movida pelas paixões, pelo desejo e até mesmo pelos instintos, sexuais ou de sobrevivência. Daí a idéia de termos em vista os propósito da fala e da ação que refletem não só em mim, mas do outro lado da moeda também, fazendo-se como um mediador do “eu” com o outro.

Mas o que esperar do outro? Uma pessoa sincera, dedicada, amável, em todos os sentidos que se pode tomar deste termo, mas creio que seja um pouco mais que isso, além de sentimentos razoáveis como os citados anteriormente e outros, como fidelidade/lealdade, simpatia (no sentido de colocar-se no lugar do outro), creio também que o fato de demonstrar o desejo e torná-lo realizável também é minimamente importante.

Afinal, nosso inconsciente é movido por crenças e desejos que nem uma devida interiorização ou o reconhecimento de um “eu” pode ser capaz de trazer à tona. Faz bem ao ego sentirmos que somos desejados, que somos necessários e de certa forma responsáveis à felicidade e ao prazer do outro em questão. Caso contrário somos levados a refletir sobre o propósito do “estar com”, digo isto a respeito dos indivíduos que realmente têm consciência do que seria e o que deve ser um relacionamento afetivo.

A segurança emocional acaba ligada então a todos os sentimentos e relações das idéias ditas acima, e de certa maneira aos desejos de nosso inconsciente, que mesmo que se mascare e seja desvirtuado por uma série de sombras pode torna-se bem definido a partir do momento que nos sentimos seguros com o que o outro diz, na relação de como este sujeito age e também o propósito de tais feitos.

Mesmo que no começo de uma relação os envolvidos sempre tenham em mente mostrar o seu melhor, creio que deve haver algo mais profundo que isto. É ai que o feeling entra em ação, e com ele podemos sentir o que a imagem do outro causa em nós mesmos. Desta forma, não é o bastante mostrar somente o lado bom no começo de um relacionamento, e sim, a imagem e a perspectiva de efeito que ele pode nos proporcionar.

A busca do real sentido do amor deve ser diariamente conquistado, diariamente cultivado, pois é como uma flor, que só pode se reproduzir e ter novas flores se for bem cuidada, pelo menos é isto que eu espero da idéia do que deve ser um relacionamento e de tudo aquilo que ele pode representar.

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Existe Fórmula para o Amor? É 0% Açúcar?

O amor…  Por que é tão difícil medir algo que é simplesmente um sentimento, e pior ainda por que é mais difícil descrevê-lo?  Às vezes lendo uma série de poemas temos uma leve noção do que seria o amor, mas numa perspectiva decadente e recalcada. Daí podemos parar um pouco para refletir, entre uma perspectiva romantizada do que é o amor e a idéia de décadent de Nietzsche prefiro a segunda opção, que não é tão discrepante da primeira situação, mas é realista e não se camufla em meio de uma série de “meu amor, minha vida sem ti é como um peixe sem água”.

Sei que minha formação acadêmica é praticamente toda empirista, baseada em acreditar em tudo que nos reflete diante dos sentidos e que eles nos guiam rumo aos caminhos certos da verdade, mas não posso deixar meu lado cético de lado e duvidar de tudo que o amor representa e significa numa maneira bem ampla.

Vou remeter num primeiro momento a Fedro de Platão:

 

“Cada humano adora o deus de quem foi companheiro. Imita-o como pode enquanto não está pervertido e enquanto aqui vive, depois do primeiro nascimento. Assim, todos imitam seu deus nas relações amorosas e nas outras. Cada um escolhe o seu amor de acordo com o respectivo caráter e passa a vê-lo como seu deus, eleva-lhe uma estátua no seu coração, enfeita-o para adorá-lo e celebra seus mistérios.” (Fedro, 2005, p.89)

 

Em uma coisa eu concordo com Platão e sempre concordei – semelhante atrai semelhante, e isso não se pode negar, por mais que se diga que os opostos se atraem, digo isto não em relação a gostos, pois nunca se encontrará um padrão para o gosto de um casal.

Além do mais, todos os homens têm em seus sentimentos, por mais inconscientes que sejam uma mísera que seja vontade de ser um deus, sendo forte, cheio de respostas e de verdades que nunca serão encontradas, e mesmo que eu esteja aqui indo pelo lado contrário da correnteza de Platão, me digam qual o homem que realmente já amou na vida que não coloque a pessoa amada num pedestal, adorando como um semideus e não espera o mínimo de reciprocidade da pessoa amada?

Todos buscam em seus subconscientes encontrar uma pessoa que seja a mais parecida com a pessoa mais sagrada do mundo para eles, que são as figuras maternas, paternas, sendo por laços sanguíneos ou não. E sabem o por quê? Simplesmente para aliviar o movimento de suas paixões, de maneira que entrando num estado de tranqüilidade, inibindo de certa forma seus graus de desejo, colocando a todos num estado de satisfação, sendo ele imaginário ou não.

Vamos supor, imaginemos os homens num período antes da socialização, numa época antes de um governo ou de leis que dissessem o que é justo ou injusto, certo ou errado. Período este em que uma guerra de todos contra todos era inevitável para que a sobrevivência dos homens fosse algo possível. Por que os homens passaram a se socializar se nada era de ninguém?

Todos sabemos que os instintos primitivos de socialização nada mais eram do que instintos sexuais e de posse, pois aquele que possuísse maior arrebanhamento de pessoas como sendo dos seus era quem era mais importante e forte, e aquele que não pudesse viver em sociedade ou teria que se forçar a isso ou morreria. A sociabilidade seria capaz de fornecer meios de vantagem para todos os envolvidos, que deveriam necessariamente simpatizar-se uns com os outros, caso contrário um mataria o outro em seu núcleo em nome de algo que logo seria escasso, comida, terra, qualquer coisa.

O amor seria o condutor para levar o homem a seguir sua tendência natural de satisfazer seu desejo e a necessidade das pessoas, trazendo generalizadamente felicidade e satisfação, sendo este um meio de ligar as pessoas a objetivos em comum e colocá-las em pé de igualdade com os outros. Mas será que este sentimento, tão integro e sincero seria somente isso?

 

“O grau de similaridade com a nossa pessoa que reconhecemos nos outros aumenta a medida que reconhecemos que seus desejos, paixões e propensões se parecem com nossos próprios, e que suas maneiras peculiares e sua língua são semelhantes às nossas.” (Ralws, 2005, p.100)

 

Instintos, desejo, busca por uma similaridade imediata, a busca no outro por padrões semelhantes aos próprios padrões, mas o que todos esquecem é que não existe perfeição, não existe certo ou errado, muito menos uma regra de três que de valor de verdade ao amor ou a qualquer outro sentimento, ou a qualquer outro objeto da razão.

O amor, analisando friamente, perde a cada dia seu valor, dando lugar ao cálculo frio e desregrado das paixões e dos instintos. As palavras perdem a cada dia mais seu valor, cada “eu te amo”, cada “você me faz falta”, cada “não sei mais viver sem você”, e me parece que o problema não está mais no amor como sensação, ou quem sabe o problema nunca estivesse nele, sendo toda esta questão apenas um distúrbio de comunicação entre os indivíduos que não sabem expressar um sentimento, ou até mesmo que não saibam fazer dele algo recíproco. Ou será que a dificuldade está em verbalizar e entender, ao mesmo tempo, algo que nos propomos a exteriorizar?

E agora me digam -  O que há mesmo de errado com os poemas?

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Padrões de Gosto e a idéia de Ensino Ostensivo

Acho engraçado e ao mesmo tempo fascinante a idéia de ensino ostensivo, digo isto por que se torna estranho imaginar alguém dizendo para outra pessoa algo do tipo “me traga uma maçã vermelha do mercado” sem termos noção do que o algarismo um, o substantivo maçã, o adjetivo vermelho e o substantivo mercado.

Grosso modo, segundo o ensino ostensivo, uma pessoa acaba sendo “treinada” para ter o aprendizado sobre as coisas, digo grosso modo, pois não pretendo dar aqui uma aula sobre nosso querido Wittgeinstein. Assim sendo, tal ensino seguir-se-ia da seguinte forma: apresentando à pessoa o algarismo um quantitativamente, depois o que é maçã e seu significado, ou seja, forma arredondada, doce, comestível, apontando-a, por isso o nome que se dá nesta prática (ensino ostensivo). Seguindo, daríamos um significado ao vermelho dando esta noção ao indivíduo e ligando esta qualidade à noção de maçã, e logo em seguida dar-lhe a noção de mercado, local onde se compra materiais de uso humano.

Sei que parece de certa forma ridícula tal apresentação e como ela funciona, mas é assim que ela se dá, mesmo que tenha colocado de maneira grosseira. Daí a pessoa que aprendeu ostensivamente os dados colocados anteriormente segue por seus instintos a ordem dada.

Por mais difícil que seja, devemos ter em vista que a pessoa em questão não tinha qualquer experiência com a idéia de o algarismo um nos traz, ou até mesmo com a idéia de vermelho, de maçã ou de mercado, assim como se fosse uma criança na fase de aprendizado das palavras, em que apontamos para um objeto e dizemos “isto é vermelho”, ou isto é maçã, ou em um sentido um pouco maior “isto é UMA MAÇÃ VERMELHA”.

 É isto que me fascina, a idéia de que somos ao nascer uma tábula rasa, repleta de sensações desconhecidas, na qual somos esponjas e desta forma absorvemos ao longo do tempo todo o significado das coisas, por mais simples ou complexas que elas sejam para nós mesmos.

Ao nascer absorvemos o mundo de tal forma que nossas experiências tornam-se tão parecidas com as de tantas outras pessoas, mas ao mesmo tempo tão diferentes, digo isto por que a idéia de dor está presente a cada um de nós, mas a dor que eu sinto, ou melhor, a sensação de dor pode ser diferente, trazendo efeitos diferentes a qualquer um de nós, mas a idéia de dor será sempre a mesma. Ao mesmo tempo em que a idéia de maçã é a mesma em qualquer pessoa, mas cada um tem um juízo diferente desta idéia, sentindo um gosto agradável ou desagradável ao mordê-la, vendo beleza ou feiúra em sua forma por mais que o sentido da palavra e a idéia que ela representa sejam os mesmos em qualquer um.

Daí vem uma questão: posso conhecer tal objeto, tal coisa, mas que reflexo, que efeito, que juízo, esta idéia provoca em mim?

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Padronizando os Gostos

Estranho escrever em um blog que não tenha um assunto que me é tão interessante quanto é o contrato social, mas senti a necessidade de exteriorizar um pouco outro lado, um lado focado mais nas essências e nas coisas simples, que a política não me permitiria fazer… Às vezes é bom escrever algo sobre um fato engraçado,  um assunto diferente, ou até mesmo questões que dificilmente eu saberia explicar. Mas às vezes é bom refletir sobre um mundo de essências, um mundo irreal, ou sobre uma busca com o intuito de me colocar em pé de igualdade com o mundo real. Digo isto por que não se vive só de filosofia… Mesmo que ela traga diversos prazeres os quais sejam difíceis de serem alcançados sozinhos, não é só disso que se vive.

Acho interessante a forma com que o senso comum lida com as coisas da vida cotidiana, é em certo ponto de vista engraçado o modo que as pessoas vêem a filosofia como um bicho de quatrocentas cabeças que podem devorar cada um deles a cada segundo se mantiverem o mínimo contato… Mas se não fossem homens como Platão, Sócrates, Descartes, Wittgeinstein, Hume, Leibniz, entre tantos outros, dificilmente teríamos percebido ou até mesmo questionado, a existência de Deus ou até de nós mesmos… Com eles fomos capazes de criar padrões a respeito do mundo real e o das essências, padrões acerca do gosto, das artes, padrões de idéias, padrões sobre o certo e o errado, o tolerável e o intolerável.

É estranho olhar uma maça e pensar o porquê dela ser vermelha, ser forma arredondada, ser doce, ou mesmo pelo fato de ser uma semente que cresceu, virou uma árvore que amadureceu e deu frutos, o mais engraçado é que tudo na vida é tão cíclico, tão real com tanta irrealidade em seu cerne, que torna-se difícil imaginar que o homem em si é igual uma maçã, que nasce, cresce, se reproduz e morre. Com a diferença que o homem pensa, mas seria só esse o motivo dele existir?

Seria só esse o motivo dele conhecer Deus e colocá-lo como parte de sua vida, respeitando-o e amando-o incondicionavelmente? Por mais que saiba que muitos podem questionar meu ponto de vista ainda considero difícil viver em um mundo com uma criatura tão certa e incontestável que não seja reconhecida por tudo que existe, pelo simples fato de uma maçã não ter consciência nem de que vai ser comida e que vai virar energia no corpo de outros organismos vivos.

Da mesma forma que acaba sendo estranho andar pela rua e imaginar o que estou fazendo nela, caminhar e não ter a certeza da existência de tudo ao nosso redor, quem sabe muitos de nós somos solipsitas em certo momento de nossas vidas e nunca saberíamos, sequer perceberíamos que a simples idéia de o mundo existir somente pelo fato de poder vê-lo ou percebê-lo, já nos faz um bando de solipsistas, e que esta idéia que se tem de o mundo só existir somente em nossas mentes é algo já foi visto há séculos por um bando de pensadores que eram considerados loucos, hereges, desregrados e libertinos…

Assim sendo intenção que tenho para este blog é exteriorizar questões diferentes, interessantes e desinteressantes, mas que fazem parte do mundo, sendo algo filosófico ou não… De preferência sem cunho metafísico… Pois seria nada empolgante e que me faria falar somente com moscas e amigos imaginários…

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