Padronizando os Gostos

Estranho escrever em um blog que não tenha um assunto que me é tão interessante quanto é o contrato social, mas senti a necessidade de exteriorizar um pouco outro lado, um lado focado mais nas essências e nas coisas simples, que a política não me permitiria fazer… Às vezes é bom escrever algo sobre um fato engraçado,  um assunto diferente, ou até mesmo questões que dificilmente eu saberia explicar. Mas às vezes é bom refletir sobre um mundo de essências, um mundo irreal, ou sobre uma busca com o intuito de me colocar em pé de igualdade com o mundo real. Digo isto por que não se vive só de filosofia… Mesmo que ela traga diversos prazeres os quais sejam difíceis de serem alcançados sozinhos, não é só disso que se vive.

Acho interessante a forma com que o senso comum lida com as coisas da vida cotidiana, é em certo ponto de vista engraçado o modo que as pessoas vêem a filosofia como um bicho de quatrocentas cabeças que podem devorar cada um deles a cada segundo se mantiverem o mínimo contato… Mas se não fossem homens como Platão, Sócrates, Descartes, Wittgeinstein, Hume, Leibniz, entre tantos outros, dificilmente teríamos percebido ou até mesmo questionado, a existência de Deus ou até de nós mesmos… Com eles fomos capazes de criar padrões a respeito do mundo real e o das essências, padrões acerca do gosto, das artes, padrões de idéias, padrões sobre o certo e o errado, o tolerável e o intolerável.

É estranho olhar uma maça e pensar o porquê dela ser vermelha, ser forma arredondada, ser doce, ou mesmo pelo fato de ser uma semente que cresceu, virou uma árvore que amadureceu e deu frutos, o mais engraçado é que tudo na vida é tão cíclico, tão real com tanta irrealidade em seu cerne, que torna-se difícil imaginar que o homem em si é igual uma maçã, que nasce, cresce, se reproduz e morre. Com a diferença que o homem pensa, mas seria só esse o motivo dele existir?

Seria só esse o motivo dele conhecer Deus e colocá-lo como parte de sua vida, respeitando-o e amando-o incondicionavelmente? Por mais que saiba que muitos podem questionar meu ponto de vista ainda considero difícil viver em um mundo com uma criatura tão certa e incontestável que não seja reconhecida por tudo que existe, pelo simples fato de uma maçã não ter consciência nem de que vai ser comida e que vai virar energia no corpo de outros organismos vivos.

Da mesma forma que acaba sendo estranho andar pela rua e imaginar o que estou fazendo nela, caminhar e não ter a certeza da existência de tudo ao nosso redor, quem sabe muitos de nós somos solipsitas em certo momento de nossas vidas e nunca saberíamos, sequer perceberíamos que a simples idéia de o mundo existir somente pelo fato de poder vê-lo ou percebê-lo, já nos faz um bando de solipsistas, e que esta idéia que se tem de o mundo só existir somente em nossas mentes é algo já foi visto há séculos por um bando de pensadores que eram considerados loucos, hereges, desregrados e libertinos…

Assim sendo intenção que tenho para este blog é exteriorizar questões diferentes, interessantes e desinteressantes, mas que fazem parte do mundo, sendo algo filosófico ou não… De preferência sem cunho metafísico… Pois seria nada empolgante e que me faria falar somente com moscas e amigos imaginários…

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