Padrões de Gosto e a idéia de Ensino Ostensivo

Acho engraçado e ao mesmo tempo fascinante a idéia de ensino ostensivo, digo isto por que se torna estranho imaginar alguém dizendo para outra pessoa algo do tipo “me traga uma maçã vermelha do mercado” sem termos noção do que o algarismo um, o substantivo maçã, o adjetivo vermelho e o substantivo mercado.

Grosso modo, segundo o ensino ostensivo, uma pessoa acaba sendo “treinada” para ter o aprendizado sobre as coisas, digo grosso modo, pois não pretendo dar aqui uma aula sobre nosso querido Wittgeinstein. Assim sendo, tal ensino seguir-se-ia da seguinte forma: apresentando à pessoa o algarismo um quantitativamente, depois o que é maçã e seu significado, ou seja, forma arredondada, doce, comestível, apontando-a, por isso o nome que se dá nesta prática (ensino ostensivo). Seguindo, daríamos um significado ao vermelho dando esta noção ao indivíduo e ligando esta qualidade à noção de maçã, e logo em seguida dar-lhe a noção de mercado, local onde se compra materiais de uso humano.

Sei que parece de certa forma ridícula tal apresentação e como ela funciona, mas é assim que ela se dá, mesmo que tenha colocado de maneira grosseira. Daí a pessoa que aprendeu ostensivamente os dados colocados anteriormente segue por seus instintos a ordem dada.

Por mais difícil que seja, devemos ter em vista que a pessoa em questão não tinha qualquer experiência com a idéia de o algarismo um nos traz, ou até mesmo com a idéia de vermelho, de maçã ou de mercado, assim como se fosse uma criança na fase de aprendizado das palavras, em que apontamos para um objeto e dizemos “isto é vermelho”, ou isto é maçã, ou em um sentido um pouco maior “isto é UMA MAÇÃ VERMELHA”.

 É isto que me fascina, a idéia de que somos ao nascer uma tábula rasa, repleta de sensações desconhecidas, na qual somos esponjas e desta forma absorvemos ao longo do tempo todo o significado das coisas, por mais simples ou complexas que elas sejam para nós mesmos.

Ao nascer absorvemos o mundo de tal forma que nossas experiências tornam-se tão parecidas com as de tantas outras pessoas, mas ao mesmo tempo tão diferentes, digo isto por que a idéia de dor está presente a cada um de nós, mas a dor que eu sinto, ou melhor, a sensação de dor pode ser diferente, trazendo efeitos diferentes a qualquer um de nós, mas a idéia de dor será sempre a mesma. Ao mesmo tempo em que a idéia de maçã é a mesma em qualquer pessoa, mas cada um tem um juízo diferente desta idéia, sentindo um gosto agradável ou desagradável ao mordê-la, vendo beleza ou feiúra em sua forma por mais que o sentido da palavra e a idéia que ela representa sejam os mesmos em qualquer um.

Daí vem uma questão: posso conhecer tal objeto, tal coisa, mas que reflexo, que efeito, que juízo, esta idéia provoca em mim?

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