Perspectiva Amorosa de um Sujeito…

eu-queria-ser-amor-geisaA questão de hoje trata de algo que foi colocado em terapia hoje: a idéia de querer. O que realmente quero para minha vida? Parece algo tão fácil de ter em mente, mas isso na minha vida afetiva não anda tão fácil de ser explicada. Hoje pretendo tentar explicar um pouco disto.

Sempre fui muito focado nos assuntos do coração, sempre soube muito bem o que queria e nunca tive problema com o movimento de minhas paixões, sempre soube o tipo de pessoas com quem queria me relacionar, em quaisquer que fossem os campos afetivos.

O mais engraçado de tudo é que de algumas semanas para cá tudo ficou tão nebuloso e imprevisível que fica difícil ter uma postura que mostre minha firmeza de pensamento. Parece que depois que algo marca muito fundo, nos sentimos incapazes de encarar o mundo como ele realmente merece. Parece que tudo nos amedronta e tudo que estava no passado adormecido retorna e se torna algo mais forte e real.

Um exemplo disso foi eu não ter coragem de andar na rua sozinho a noite até poucas semanas atrás. Sei que sou cético, mas isso vai a algo além, algo inconsciente, pelo simples fato de não me sentir mais protegido, daí pude perceber que eu realmente não dava valor a mim mesmo, pois se eu realmente confiasse em mim mesmo isso não teria tanta necessidade, pois eu sou realmente capaz de encarar as coisas como elas realmente são, independente de estar sozinho afetivamente ou não.

Acredito que tudo que eu passei nesses últimos meses ao mesmo tempo em que me retraí do âmbito social ao mesmo tempo me coloca numa situação de abertura, mas têm horas que precisamos parar, refletir, e reconhecer onde está o erro, para que possamos curar as feridas abertas e termos coragem de nos colocarmos a frente do mundo novamente.

O primeiro passo é descobrir um querer perdido, talvez perdido pela comodidade, pelo sentimento de não haver mais um querer tão bem definido, que estava fixo e parecia não ser passível de mudanças drásticas, mas que sua debilidade, como consequência acaba trazendo uma série de problemas, de forma que acabamos não sendo vistos como competentes e com um posicionamento firme diante dos outros.

O que querer de agora em diante? Além do campo profissional que está muito bem estabelecido, além de um mestrado, além de tudo que relacione ao campo material. O campo afetivo acaba influenciando diretamente muito nisso tudo. Então devo mudar a questão e deixá-la mais fechada: O que querer e o que esperar de alguém que venha a entrar no campo dos afetos?

Quando pensamos num relacionamento saudável, pensamos em que? Em juras de amor, em promessas eternas e tudo que pode nos trazer uma segurança ilusória?

 Em primeiro lugar não se pode confiar em quem não tem atos que respeitem suas palavras, muito menos o lado inverso da situação, afinal, aquele que realmente se entrega ao amor deve ligar o que se fala com os gestos lançados ao outro, assim como deve ligar o que se fala ou o que se diz com o desejo e o propósito da ação.

Não adianta de nada dizer uma coisa, não agir sob esta perspectiva e ainda não demonstrar o desejo que se tem por algo. Digo isto por que não diria que compraria uma bicicleta ou qualquer outra coisa se não soubesse que ela será útil e que eu realmente gostaria de ter aquele objeto. O desejo age ai como o motor das ações logo com ele deve condizer os atos e as palavras. Logo se não temos visível a idéia de desejo, não há motivação alguma que nos faça ter alguma coisa.

Desta mesma forma acontece com um relacionamento, pois se não vemos o desejo e se ele não condiz com os atos e a fala, o que isso reflete no outro? Se ouvimos e vemos nas ações o querer, por que o outro sujeito não personifica suas formas de desejo? Digo formas de desejo num sentido amplo e pouco delimitado, que vai tanto pelo desejo sexual ou até a pura vontade de estar em contato com o outro sujeito da ação.

Sempre acreditei que amor era uma coisa grande, esperada, querida e necessária. Mas até qual ponto podemos esperar no amor de alguém alguma resposta ao que se é proposto a fazer? Questiono este ponto tendo em vista que a raça humana sempre foi e sempre será movida pelas paixões, pelo desejo e até mesmo pelos instintos, sexuais ou de sobrevivência. Daí a idéia de termos em vista os propósito da fala e da ação que refletem não só em mim, mas do outro lado da moeda também, fazendo-se como um mediador do “eu” com o outro.

Mas o que esperar do outro? Uma pessoa sincera, dedicada, amável, em todos os sentidos que se pode tomar deste termo, mas creio que seja um pouco mais que isso, além de sentimentos razoáveis como os citados anteriormente e outros, como fidelidade/lealdade, simpatia (no sentido de colocar-se no lugar do outro), creio também que o fato de demonstrar o desejo e torná-lo realizável também é minimamente importante.

Afinal, nosso inconsciente é movido por crenças e desejos que nem uma devida interiorização ou o reconhecimento de um “eu” pode ser capaz de trazer à tona. Faz bem ao ego sentirmos que somos desejados, que somos necessários e de certa forma responsáveis à felicidade e ao prazer do outro em questão. Caso contrário somos levados a refletir sobre o propósito do “estar com”, digo isto a respeito dos indivíduos que realmente têm consciência do que seria e o que deve ser um relacionamento afetivo.

A segurança emocional acaba ligada então a todos os sentimentos e relações das idéias ditas acima, e de certa maneira aos desejos de nosso inconsciente, que mesmo que se mascare e seja desvirtuado por uma série de sombras pode torna-se bem definido a partir do momento que nos sentimos seguros com o que o outro diz, na relação de como este sujeito age e também o propósito de tais feitos.

Mesmo que no começo de uma relação os envolvidos sempre tenham em mente mostrar o seu melhor, creio que deve haver algo mais profundo que isto. É ai que o feeling entra em ação, e com ele podemos sentir o que a imagem do outro causa em nós mesmos. Desta forma, não é o bastante mostrar somente o lado bom no começo de um relacionamento, e sim, a imagem e a perspectiva de efeito que ele pode nos proporcionar.

A busca do real sentido do amor deve ser diariamente conquistado, diariamente cultivado, pois é como uma flor, que só pode se reproduzir e ter novas flores se for bem cuidada, pelo menos é isto que eu espero da idéia do que deve ser um relacionamento e de tudo aquilo que ele pode representar.

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