Quando se busca a verdade num sonho…

untitledÉ estranho como os sonhos podem instigar nossos pensamentos. Grosso modo, na perspectiva de Jung, os sonhos são, em uma das definições, instintos reprimidos, que tem uma tendência natural de influenciar a mente de forma consciente.

Os sonhos seriam nada mais que produtos espontâneos do inconsciente, sendo eles produtos independentes da vontade, não sendo influenciáveis por qualquer tipo de intenção consciente.

Torna-se engraçado pensar no real significado dos sonhos e os efeitos destes produtos do pensamento sobre os indivíduos, digo isto por ter sentido isto na própria pele minutos atrás. Realmente não sei se a mente, este motor tão poderoso, é capaz de inconscientemente causar tantas emoções ao mesmo tempo, justamente por que sou cético e não quero me render a tais idéias tão facilmente.

Mas o fato de ter ouvido e visto algumas coisas que remetem ao passado e que não mais existem em minha realidade, que me trouxeram saudade e tristeza, vieram a mim em meus sonhos com um ar tão real, tão marcante e tão saudoso, que me trouxe uma série de sensações que estavam antes adormecidas. E mesmo que quisesse que elas se mantivessem no estado em que estavam, não posso negar que me senti bem com isso.

Ninguém pode negar que a mente, assim como as ações práticas, é movida pelos instintos, pelas paixões, afinal mente e ações são bastante ligadas sendo elas ora uma causa, ora efeito em momentos diferentes. Ou seja, o pensamento consciente pode ser a força motriz de uma ação especifica e vice versa. Os produtos do inconsciente têm um reflexo um pouco diferente, movendo e influenciando os outros pensamentos, logo influenciando as ações reais.

Mas agora fica a questão: mesmo sabendo que os sonhos não passam de fantasias criadas pelo inconsciente para tentar apaziguar as paixões violentas da mente humana, qual é seu real efeito em nós? Pois mesmo que um sonho seja tão irreal, quando é lembrado ao acordar, ele é capaz de trazer tantos sentimentos que não eram revirados há tempos, e que se não tivessem sido sonhados, tais pensamentos poderiam estar onde sempre estiveram, e assim não causariam nenhum tipo de referência ao consciente.

É estranho pensar que momentos da infância, fatos da vida, sendo eles amorosos, do trabalho ou de qualquer outro setor tendem a trazer tantas outras situações no movimento interno de nossos pensamentos.

Os mais místicos dizem que quando sonhamos com dentes é por que alguém que conhecemos vai morrer, ou que quando sonhamos com cobras é por vamos ser traídos de alguma forma. Mas até quando isso pode ser verdadeiro ou é só produto de uma crença. Lendo Jung isso só mostra que isso não passa de um delírio do senso comum, e que os sonhos são determinações das fantasias e do próprio inconsciente humano, mas não podemos deixar de respeitar quaisquer que sejam as crenças instituídas.

Às vezes penso que se não fôssemos movidos por experiências decorrentes de uma vida isso deixaria de acontecer. Pena que o homem é uma esponja que adquire experiência de tudo que acontece em sua volta, e que nos torna tão passiveis e sensíveis a tudo em nossa volta.

Mas isto é algo que não podemos fugir feliz ou infelizmente, teremos que conviver com os aspectos frágeis e equivocados da realidade humana até o fim de nossas existências, sonhando e pondo em prática tudo o que puder ser trazido para a realidade. Agora refaço minha pergunta: até que ponto os sonhos podem tornar-se realidade?

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