
O que realmente te faria feliz, caro leitor? É estranho pensar nessa idéia, é algo tão amplo e cheio de discussões para serem colocadas em prática, aliás, na teoria são piores ainda para tentarem ser entendidas.
Para algumas pessoas a felicidade seria ver Deus frente a frente, para outros seria ter uma bicicleta, para outros seria viajar a vida inteira, para outros felicidade é ter alguém que valha a pena estar ao lado, entre tantas outras perspectivas e sentimentos envolvidos ao se pensar nesta idéia tão vaga e complexa ao mesmo tempo.
É mais estranho pensar em como os valores que tínhamos mudam a cada instante, como as escolhas que fizemos passam a de nada valer num simples piscar de olhos. Sabe quando fazemos algo num passado não muito distante e que depois rimos de nós mesmos pensando em como pudemos ser agentes de tais feitos, ou até mesmo nos criticamos por um feito não muito prudente ou prudente até demais? É estranho pensar desta maneira, pois somos nós os atores de nossa vida, não os espectadores.
O que seria felicidade? Um estado de espírito? Um movimento da natureza humana? Algo cíclico e inexplicável? Tudo que pude ler nos verbetes de um dicionário de filosofia não fogem da idéia de um estado de satisfação pleno, a busca de um bem supremo, para Kant, uma coisa agradável para quem a possui, e para Sartre, não mais um fim para ser alcançado, sendo apenas uma coisa cíclica.
Mesmo com Freud dizendo que a felicidade não tem valor cultural, ou Epicuro afirmando que uma vida feliz seria impossível sem a sabedoria, honestidade e justiça. Mas ainda fica a questão: o que é felicidade? E podemos ir mais ao fundo ainda: como alcançar uma vida feliz tendo em vista nossas escolhas?
Por mais que nossas escolhas sejam embasadas e validadas por atos, como ter consciência se um ato poderia vir a ser mais acertado ou não que outro? Isso realmente não se pode saber, pelo simples fato de não ser possível viver uma vida duas vidas, e se alguém tiver conseguido tal feito extraordinário, por favor, me passe o nome deste alucinógeno por que ando precisando de um desses.
Acredito ser muito pertinente a idéia que Aristóteles tinha acerca dos atos, pois, ou eram voluntários, logo pensados e conscientes dos efeitos em relação em tudo a sua volta; ou eram involuntários e não se tinha consciência do que era feito; ou era não voluntário e, grosso modo, era um mal necessário. Coloco isto em questão pelo simples fato de um indivíduo pensar sempre em si em primeiro lugar e depois perceber e pensar sobre os atos associados a ele e à sua volta.
Pior ainda é pensar na duração que tais atos podem manter algum tipo de felicidade ou infelicidade. Pois pensamos, ou melhor, deveríamos pensar que um ato é exteriorizado pelo fato de um indivíduo ter uma crença de que é um ato que vai ter efeitos bons, pelo menos para ele próprio.
Não sei se é algo egoísta, ou até mesmo egocêntrico, mas todas as pessoas têm aquele interesse interno e inconsciente de estimular sua própria felicidade, haja o que houver, aconteça o que acontecer. Isto inconscientemente protege sua realidade interna e o protege de tudo que o mundo possa lhe trazer de mau. É como se fôssemos super heróis de nós mesmos, lutando contra o mundo externo e o nosso próprio mundo individualista.
A luta de todos contra todos está bem na nossa frente, uma luta de nós contra os outros e contra nós mesmos, e creio que essa batalha nunca terá qualquer vencedor, disse uma mentira agora, o vencedor será o abutre que comer a carniça dos gladiadores primeiro.
Mas até quando as ações serão pensadas, até quando elas serão só uma busca instintiva para um bem que não se sabe qual é? Até quando as ações humanas são humanas e pensadas e até quando o homem age por instinto, por impulso? Até onde o homem pensa em si mesmo, até onde o homem passa a pensar no outro? Até quando se buscará viver uma felicidade insólita, até quando não precisaremos pensar nela? Quem sabe isso aconteça… Mas precisaremos de um alucinógeno muito bom…