Se você pudesse destruir algo, caro leitor, você preferiria abstrair sua razão ou sua sensibilidade?
Não sei qual resposta eu daria, acho que depende de uma série de movimentos, até mesmo, não querendo ser redundante, uma série de pensamentos e sensações.
Acredito que seja mais fácil lidar com as emoções de forma racional, pois desta forma os sentimentos refletem na alma humana algo já racionalizado, sem grandes movimentos que possam suceder deles.
Assim como acredito que seja mais fácil deduzir acerca das coisas por meio da sensibilidade, tendo o homem, por conta de suas experiências, meios com os quais se possa ajudar a alcançar a verdade das coisas.
Sempre achei muito interessante imaginar como um racionalista pensa acerca das coisas, afinal é tão diferente da forma pela qual os empiristas se baseiam.
E analisando o verbete a respeito do racionalismo, de uma forma muitíssimo simplificada, pode-se entender dele aquilo que “caracteriza tudo aquilo que pertence à razão ou que é derivado dela” (MARCONDES, 1996, p.228), ou que de forma valorativa caracteriza uma ação que se realiza de acordo com certos valores e que se autojustifica; ou que é instrumental, tendo como finalidade a busca de fins e objetivos específicos baseados no cálculo e na adequação desses fins a seus meios.
De certo sou adepto da filosofia empírica, que considera o homem “nascido para a ação e como influenciado em suas atitudes para o gosto e para o sentimento, perseguindo um objeto e evitando outro, de acordo com o valor que esses objetos parecem possuir segundo a perspectiva que lhe apresentam” (HUME, 2003, p.19).
Prefiro ainda pintar com cores mais agradáveis àquilo que, por exemplo, a idéia de 1+1=2 representa, por mais que essa idéia seja mais direta e acertada as vezes. Prefiro a idéia de poder demarcar a idéia das coisas “agradando a imaginação e os afetos” humanos utilizando observações e experiências a dirigir-me para a especulação e a crítica que podem ser algumas vezes abstratas e até mesmo inteligíveis para a maioria das pessoas.
Digo isto tendo algumas coisas como certas e indubitáveis, entre elas a idéia de que não podemos separar a razão da experiência, tão pouco a razão do sentimento, pois em ambos os casos as duas idéias andam juntas. Também não quero ser pretensioso ao ponto querer mostrar o caminho mais certo a se seguir, muito pelo contrário, me proponho a formular uma perspectiva para este assunto.
Sigo questionando a idéia de amor, pois esta acaba sendo uma das idéias mais complexas e menos explicáveis possível. Alguém consegue racionalmente descrever o ato de amar?
Um racionalista colocaria nesta idéia outra série de idéias, como a de feromônios, instintos, ou até mesmo uma tentativa racional de provar o movimento das paixões, buscando transformar tal idéia num cálculo matemático desenfreado e regrado.
Mas afinal, um racionalista poderá sozinho descrever algo nunca sentido? Algo que sua alma pode nunca ter descoberto ou pensado? Por isso, assim como Hume, acredito que experiência e razão, assim como razão e sensibilidade devem estar juntas, sempre uma aprendendo com a outra.